Mãe de Leãozinho
terça-feira, 9 de fevereiro de 2016
Começando pelo final. O final de uma das etapas da maternidade e uma das mais importantes pra mim. No último sábado, comecei o desmame definitivo do Nicolas. Quem acompanhou minha vida no último ano, sabe que eu tinha recomendações médicas (muitas, aliás) para que eu parasse de amamentar por conta da minha saúde. Desobedeci às recomendações até que percebi que não dava mais pra mim. Há uns meses, eu já tinha parado de tirar o leite pra congelar enquanto estava no trabalho e isso nos deixava cerca de 11 horas sem amamentação. Nas demais horas, enquanto estávamos juntos, o leãozinho estava grudado na mama da mamã. Percebi que estava mais interessado no contato que tínhamos nesse momento ou no costume de mamar do que propriamente no leite. Com a minha anemia, eu ficava cada vez mais fraca e já não aguentava o batidão de acordar tantas vezes à noite. Então decidi fazer o desmame em janeiro, pois estava nas férias. Oito dentes estavam nascendo.Adiei. Planejei novamente. O pequeno adoeceu. Adiei de novo. Sabia do trauma que ele sofreria sem o "mamazinho" e tinha que ser num momento tranquilo. Na manhã do último sábado, sábado de carnaval, ele pediu leite. Falei que tinha acabado, ele se distraiu com outras coisas e desceu do colo. Passou o dia assim e eu achei que estava sendo mais tranquilo do que eu imaginava. Mas a noite chegou. E o Nicolas estava acostumado a acordar, mamar e aí dormir. Quando não mamou no peito, não teve água, não teve leite, não teve água de coco, não teve carinho, não teve desenhos, não teve nada que o acalmasse. Depois de um tempo, o sono falou mais alto. A vovó e a titia com ele e a mamãe sofrendo no outro quarto. Chorei quando o ouvia chorar. Quase desisti quando o vi correndo em direção ao quarto, no escuro, com os braços abertos gritando pela mamãe. Lembrei de todos os médicos, inclusive do pediatra, que analisou a situação e concordou que seria o melhor. Nada me conformou. Me senti a pior mãe do mundo. Estou me sentindo ainda. Essa noite ele acordou menos vezes, mas pediu mais durante o dia. E agora aqui estou eu, com seios do tamanho do mundo, com tanto leite - leite que deveria estar com o meu bebê; sabendo que não terei mais aquele momento que era só de nós dois; com o coração doendo de arrependimento e de tristeza. Já chorei muito e cada vez dói mais. Os seios e o peito.
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